Novembro: uma crônica das promessas esquecidas

Pensar em novembro como o mês das memórias de si mesmo, das coisas que um dia desejamos nos tornar, é abrir uma caixa de sonhos inacabados e remexer nas pretensões que se desfizeram com o passar do tempo.

LITERATURA

Maiza Silva

11/8/20241 min read

Se cada mês do ano fosse uma caixa, eu diria que novembro é a caixinha das memórias. Aquele mês que a gente começa a se lembrar que o ano está prestes a terminar, que as promessas de janeiro – mês da esperança – não vão se concretizar.

Quando lembro da carta que escrevi, nas primeiras horas do ano, marco na memória as metas que alcancei, e me entristeço com as tantas outras que deixei pelo caminho. Algumas por não fazerem mais sentido, outras, porque talvez nunca fossem para mim.

Pensar em novembro como o mês das memórias de si mesmo, das coisas que um dia desejamos nos tornar, é abrir uma caixa de sonhos inacabados e remexer nas pretensões que se desfizeram com o passar do tempo.

Até aqui, tivemos dez meses para realizar planos que, por vontade própria ou pelas circunstâncias, se transformaram em realidade ou foram modificados pela vida.

A dieta que começamos, o curso que planejamos, a rotina que traçamos... É tudo tão clichê!

Clichê: banalidade repetida com frequência – nos conta o Aurélio.

Em novembro, caímos mais uma vez no “balanço de final de ano”, imbuídos por uma nostalgia daquilo que projetamos ser, mas que, por algum motivo, não tiramos do papel. É clichê, mas é também confortador. É uma mescla de arrependimento e esperança pelo tempo que ainda temos a recuperar – 2 meses!

Talvez seja esse o papel de novembro: um convite a revisitarmos nossas intenções mais íntimas e esquecer das promessas que ficaram pelo caminho. Se chegamos aqui até, foi porque caminhamos e mudamos, mesmo que não tenhamos percebido, ao longo do percurso.

A contar de hoje, nos restam 54 dias para organizar as gavetas, separar o que valeu a pena do que precisa ser deixado para trás e REplanejar.